Bispo D.Reinaldo
- s44246“NOVO MILÊNIO”
“COMUNHÃO NA PALAVRA”, nº 143, julho de 2009
“Basta-te a minha graça. Pois é na fraqueza que a força se manifesta.”
(2 Cor. 12,9)

Queridos irmã(o)s no Senhor,
Começou o Ano Sacerdotal com o qual o Papa nos presenteou depois do ano dedicado a esse herói de discípulo e missionário que foi São Paulo. Quem nos inspira neste novo ano é uma figura – contraste e igualmente admirável, o “Santo Cura de Ars”, São João Maria Vianney da terra do nosso inesquecível Pe. João Maria Spiegel, a França.
Tive a graça de visitar esse lugar duas vezes. Ainda hoje lá se pode ver os sapatos velhos e gastos com os quais ele palmilhava as ruelas de sua paróquia, muitas vezes de madrugada rezando o rosário pela conversão das “ovelhas” do rebanho que Deus lhe tinha confiado, e as estradas pedregosas da redondeza, por ex. num inverno no qual todos os seus colegas vizinhos estavam doentes e ele teve que substituí-los a todos. E ele, contente por se sentir perto de Deus com o qual se entretinha no coração tanto mais profundamente, quanto mais se doava sem reserva aos outros e seus deveres de pastor. Ele que como seminarista deixava os seus formadores na dúvida se podia ser padre, pois nos estudos era fraco. Mas realmente dele vale a palavra que o Senhor falou a São Paulo:
“Basta-te a minha graça. Pois é na fraqueza que a força se manifesta.”
E eu nunca me esqueço daquela tardinha na catedral gótica de Frankfurt, quando, sentindo pesadamente as próprias incapacidades diante da pergunta, se podia aceitar ser padre ou não. Aí como do fundo de um poço brotaram dentro de mim estas mesmas palavras:
“Basta-te a minha graça. Pois é na fraqueza que a força se manifesta.”
Elas me confortam também agora que sinto as forças físicas diminuírem. E quem sabe, elas podem nos ajudar a todos, pois sem dúvida todos nós muitas vezes temos a impressão que o fardo é pesado demais. Aí o Senhor nos responde que não devemos olhar só para nós, mas para Ele, sem o qual nada podemos fazer (cf. Jo. 15,5). A nossa tarefa não é sermos “os tais” que fazem tudo com suas próprias forças, como que dispensando o próprio Deus. Não. Ele gosta de escolher sobretudo os pequenos, pobres e fracos – “para confundir os fortes” (cf. 1 Cor 1,27), como diz São Paulo: Por ex. Davi, o mais jovem dos filhos de Jessé, ou pessoas estéreis ou velhas para ainda ter filhos, Sara, esposa de Abraão ou Isabel, mãe de João Batista etc.
“Basta-te a minha graça. Pois é na fraqueza que a força se manifesta.”
Qual é então a nossa tarefa? Acho que é uma coisa só: procurar ser um instrumento dócil na mão de Deus, deixando-se guiar e “usar” por Ele da maneira mais coerente possível. Fazer o pouco que podemos, mas com a maior boa vontade. E nisso Ele vai completar o que nós não podemos. Basta que sejamos fiéis e totalmente doados para fazer a nossa parte.
Que neste mês consigamos viver assim! + Reinaldo Pünder
O comentário bíblico desta folha se destina à leitura individual e comunitária nas reuniões de todas as comunidades ou grupos eclesiais da Diocese para se tornar propósito de vivência durante o mês. Nas reuniões subseqüentes, sobretudo ao fim do mês, se faz a “colheita” numa partilha mútua. Comuniquem as experiências mais significativas à Coordenação Pastoral Diocesana, “Testemunho da Comunhão”, Cx. Postal, 06 – 65.415-000 – Coroatá-MA!