Liturgia Diária

Nossa Missão é Evangelizar

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O que diz o Evangelho de hoje?

Monday, August 16th, 2010

O evangelista, escrevendo à sua comunidade, quer trazer a cada um deles e a nós a Palavra de Jesus, não especificando o que temos de vender e com o que devemos ficar para segui-Lo verdadeiramente. O que Cristo nos quer apresentar é que, no seguimento d’Ele, nós precisamos deixar tudo aquilo que significa apego na nossa vida. O Senhor não disse que o jovem era ruim; pelo contrário. Jesus percebe que o jovem é muito bom e, por isso,  devido a realidades mais profundas que Ele quer realizar na vida desse rapaz, quer que este se desprenda de tudo que o amarra, no caso, a riqueza.

Em nossa vida, o que mais nos dificulta para seguirmos Cristo não é a dificuldade da missão em si, mas o valor que damos a tudo aquilo que não possui valor algum se comparado com a Pessoa de Jesus Cristo e a Sua proposta para cada um de nós, no caso, a verdadeira vida, a vida eterna. Tudo aquilo que está em primeiro lugar em nossa vida, que não seja o Senhor, é riqueza. Qualquer coisa, por mais que, objetivamente, não tenha valor material. Tudo! Aliás, a riqueza não está fora e, sim, dentro do coração de cada um.

Quantos apegos nós trazemos em nosso interior: de pessoas, de coisas, de cargos, etc… Tudo isso, por estar no lugar de Deus em nossa vida, vai nos amarrando, nos prendendo, criando cisões em nós; dilacera, divide, fragmenta o nosso interior e as relações que vamos adquirindo. Jesus quer mostrar que tudo nesta vida vamos perder um dia. Tudo! Nada é capaz de nos salvar. Nada!

Em Betânia, Cristo disse a Marta que Maria – pelo fato de se colocar aos pés d’Ele –  tinha escolhido a melhor parte, aquela que jamais lhe seria tirada. Ora, se o pronome está no singular, então é aquela, a única, que não poderá ser tirada de ninguém, ou seja, a fé. Esta não será tirada de ninguém, nunca! No restante, tudo perderemos. Para dizer que tudo – exceto Deus – não possui poder de nos salvar um dia. Então a pergunta é: para que tanto apego nesta vida, diante de tantas realidades insignificantes? Aliás, nesta vida, muito precisa fora quem por dentro muito vazio está!

Quem é Jesus?

Thursday, August 5th, 2010

Num primeiro momento, parece-nos que o Senhor sente necessidade de saber acerca daquilo que pensam ser Ele. Parece-nos que Cristo se preocupa com a Sua imagem. Na verdade, não é nada disso, pois Ele sabe quem é; é uma Pessoa completamente resolvida – aliás, quem não é resolvido na vida sempre dependerá do que os outros dizem ou pensam acerca dele. Isso é desequilíbrio total! - e quer nos mostrar que nós precisamos responder esta pergunta com a alma e o coração e não somente com a inteligência.

Ao fazer a pergunta aos discípulos, todos – unânimes – respondem prontamente sobre o que pensam os outros: “Uns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”. Todavia, quando Jesus pergunta a eles sobre quem é o Filho do Homem, somente Pedro tem condições de responder, pois a resposta não vem do intelecto, mas do coração, como fruto de uma experiência profunda.

Cristo faz a pergunta, como já foi dito, num ambiente todo propício, em frente ao símbolo do poder, para dizer que só sabe quem é o Senhor aquela pessoa que se propõe a fazer uma experiência com o  Seu amor e, para isso, como condição fundamental é preciso deixar tudo: o ter, o poder e o prazer. Pedro, naquele momento, consegue responder, pois foi o Pai que revelou isso a ele, por causa da sua decisão de deixar tudo para ter Tudo, no caso, o Senhor, como sua única riqueza e sentido.

Só é possível responder a essa pergunta quem se decide a fazer tal experiência: deixar tudo para ter o Tudo… Realidade esta que só é possível mediante uma vivência de fé e de amor. É a alma mergulhada em Deus e no amor concreto aos irmãos – a começar pelos que mais sofrem – que terá condições de responder a esta pergunta: “Quem é o Senhor?”

O mundo anseia por discípulos e discípulas que venham a responder a essa pergunta fundamental, pois tal resposta, quando acontece, é certeza de felicidade e realização de vida; quem não tem condições de responder não é porque não sabe a resposta, mas a causa; e o fato de não poder responder devido a não experiência feita com o Senhor. A resposta não é a que quero dar, mas a que posso dar.

Testemunhemos com a nossa vida acerca de quem é Jesus, pois de outra forma não é possível comunicar o senhorio do Senhor. Esta é causa de tantos ainda não conhecerem a Boa Nova do Reino de Deus: não haver quem lhes comunique, pois tal comunicação não é feita por palavras somente, mas com a vida. O mundo  está do jeito do que está – cada dia pior – não porque os “maus” são maus; está deste jeito porque os cristãos não são santos; não são o que deveriam ser e testemunhar.

Senhor da vida

Monday, July 5th, 2010

Neste sentido é também significativo o pormenor anotado por Marcos no seu relato e omitido por Mateus. Uma vez que, à ordem de Jesus, a menina morta se levanta, ele diz aos familiares que lhe deem de comer. Pormenor banal à primeira vista, sobretudo depois do fato deslumbrante de ressuscitar um morto, mas profundamente humano e natural, próprio de quem não se envaidece nem se torna solene.

Na ressurreição da filha de Jairo, como nos dois relatos similares: Lázaro e o filho da viúva de Naim, vemos, com a primitiva comunidade cristã, uma antecipação do triunfo pessoal sobre a morte por parte de quem é Ele mesmo a ressurreição e a vida, Cristo Jesus.

Por isso o Senhor disse que a menina estava só dormindo, o que fez rir os que nada compreendiam sobre Ele. O mesmo afirmou Jesus no caso de Lázaro já defunto. Para o cristão, a morte não é um absurdo nem o final no nada, mas um sono cujo despertar é a ressurreição “dos que adormeceram no Senhor“.

Da atuação de Jesus nesta cena depreende-se que anunciar o Reino de Deus é o mesmo que anunciar e inaugurar a vida por excelência, a vida inextinguível ou eterna.

Essa tarefa de Jesus ficou agora nas nossas mãos. Cristo quer-nos hoje testemunhas da Sua Ressurreição no mundo dos homens. E o modo mais eficaz de sê-lo é apresentar sinais de libertação humana amando os outros, como fez Jesus, porque amar é ter a dar a vida que ressuscita os corações. Por isso o amor de Deus e aos irmãos é o resumo do Evangelho e o sinal de autenticidade do cristão.

O que diz o Evangelho de hoje?

Thursday, May 13th, 2010

ALEGRIA DO ESPIRITO

E ainda que seja certo que a fé pascal não é um calmante que suprima a dureza da vida nem a limitação da morte, nem as pegadas desta, manifestas no penoso caminhar dos humanos, também é constatável que aquele que acredita e espera em Cristo mantém um modo de ver distinto diante das realidades negativas da existência.

Tudo isso porque o Espírito do Senhor ressuscitado vive em nós, animando a esperança e a alegria, ajudando-nos a entender de forma cristã a mensagem positiva que, paradoxalmente, se encerra em termos como cruz e morte, ensinando-nos abertamente que a última palavra não a tem o mal, mas o bem; não a morte, mas a vida.

Porque Cristo vive, temos vida também nós pelo Seu Espírito. Por isso podemos repetir com o salmista:  “Não hei de morrer, eu viverei para contar as façanhas do Senhor”. E com São Paulo: “Se a nossa vida está unida a Cristo numa morte como a sua, estará também unida numa ressurreição como a sua”. Assim estaremos prontos para dar razão da nossa fé e esperança a todos os que nos pedirem. Esplêndida formulação da prática cristã que sabe conjugar a fé, a esperança e o testemunho da alegria no caminhar diário.

Hoje temos de nos examinar sobre a imagem cristã que passamos aos demais. Num mundo sem Espírito, sabemos testemunhar o gozo d’Ele [Espírito Santo] e dar razão da nossa esperança? Com o nosso exemplo de alegria, paz e amor fraterno temos de tornar credível a palavra bíblica: “Os que se deixam levar pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus. Recebeste não um espírito de escravidão para recair no temor, mas um Espírito de filhos adotivos que nos faz chamar: Abba – papaizinho!”

“Não temais”, dizia Jesus aos discípulos na Sua despedida; “Eu venci o mundo”.